Premiado na Berlinale, o diretor transforma seu primeiro longa-metragem em quadrinho e prepara estreia internacional de filme que encerra sua trilogia
Premiado no Festival de Berlim e autor de títulos marcantes do cinema queer brasileiro contemporâneo, o diretor e roteirista Daniel Ribeiro atravessa um momento especialmente fértil de sua carreira. Nos próximos meses, ele apresenta ao público dois projetos de expansão criativa: a adaptação para os quadrinhos de “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” (2014), seu filme mais celebrado, e as primeiras exibições internacionais do lançamento “Eu Vou Ter Saudades de Você”.
O novo longa encerra a trilogia iniciada na estreia de Ribeiro com “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, vencedor de quase 50 prêmios internacionais, entre eles o Teddy Award de Melhor Filme LGBT na Berlinale. O segundo capítulo veio com 13 Sentimentos, lançado em 2024. Juntos, os três filmes exploram diferentes formas de afeto, identidade e amadurecimento nas relações contemporâneas.
“Depois de ‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho’, desenvolvi duas outras histórias que exploram o desgaste de um casal, a iminência da separação e o processo de redescoberta após o fim de um relacionamento longo. Juntas, essas três obras formam uma trilogia que retrata o ciclo completo das relações humanas”, conta o cineasta sobre os filmes, que foram produzidos fora da ordem cronológica. “Mas, pensando bem, o amor e os relacionamentos raramente seguem uma lógica, então eu gosto da ideia de que os rumos da vida tenham embaralhado a ordem dessa história”, completa.
Protagonizado por Alice Marcone e Gabriel Lodi, “Eu Vou Ter Saudades de Você” acompanha um casal transgênero que vive um relacionamento há sete anos e entra em crise quando decide morar junto. O roteiro foi escrito por Daniel Ribeiro em parceria com Marcone, e o elenco é inteiramente composto por pessoas trans.
O filme fará sua estreia internacional no BFI Flare: London LGBTQIA+ Film Festival, com sessões nos dias 27 e 28 de março. Para a ocasião, estarão presentes o diretor Daniel Ribeiro, a produtora Diana Almeida e os protagonistas Alice Marcone e Gabriel Lodi. Na sequência, o longa também será exibido no Festival Internacional de Cine en Guadalajara (FICG), no México, em abril.
Enquanto apresenta seu mais novo trabalho como cineasta, Ribeiro revisita o ponto de partida dessa trajetória: o roteiro de seu primeiro longa. A adaptação de “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” para os quadrinhos será publicada em maio pelo Seguinte, selo jovem do Grupo Companhia das Letras. A história foi adaptada pelo próprio diretor e ganhou ilustrações do designer Bruno Freire, cujo traço acrescenta uma nova dimensão visual à história do primeiro amor entre dois adolescentes, um deles cego, que já é um clássico do cinema brasileiro contemporâneo.
“Sempre senti vontade de continuar explorando a história de Leo e Gabriel para além do filme. A HQ surgiu como a solução perfeita: um formato que me permite expandir esse universo sem as limitações físicas do tempo”, conta Daniel, que ainda abre a possibilidade de expansão desse universo. “O mais interessante é que, no futuro, quando os personagens finalmente alcançarem a idade atual dos atores, as portas estarão abertas para um novo filme. Seria incrível revisitar Leo e Gabriel na fase adulta e entender quais são seus conflitos hoje.”
CICLO DE SUCESSO
A fase atual reflete a trajetória multifacetada de Daniel Ribeiro, nascido em São Paulo, em 1982, e formado em Audiovisual pela ECA-USP. Antes de se tornar conhecido internacionalmente pelo cinema, o diretor participou da criação do projeto Música de Bolso, iniciativa que entre 2007 e 2010 produziu 380 vídeos musicais e reuniu artistas como Vanessa da Mata, Arnaldo Antunes, Pato Fu, Tulipa Ruiz e Marcelo Jeneci.
No cinema, Ribeiro começou a ganhar destaque com os curtas Café com Leite (2008) e Eu Não Quero Voltar Sozinho (2010), exibidos em mais de 180 festivais e vencedores de 115 prêmios, entre eles o Urso de Cristal no Festival de Berlim e o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de melhor curta de ficção.
Seu primeiro longa-metragem, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, estreou no 64º Festival de Berlim, onde, além do Teddy, ganhou o Prêmio FIPRESCI. Em seguida, foi escolhido como representante brasileiro na disputa por uma vaga no Oscar de 2015. Desde então, o diretor transitou por diferentes formatos: dirigiu o curta Love Snaps (2016), premiado no Festival Mix Brasil e no Festival do Rio, criou e dirigiu a série Todxs Nós, lançada pela HBO em 2020, e lançou seu segundo longa, 13 Sentimentos, em 2024.
Além disso, Daniel Ribeiro fundou ao lado de Diana Almeida a produtora de cinema Lacuna Filmes, que está prestes a completar 20 anos em 2027. Conhecida por desenvolver histórias sensíveis e com trajetória consistente em festivais internacionais, a produtora soma mais de 150 prêmios entre curtas e longas-metragens. Dentre os seus títulos de maior destaque, além dos filmes dirigidos por Ribeiro, estão As Duas Irenes (2017), 45 Dias Sem Você (2018) e Música para Morrer de Amor (2019).
Ao transitar entre diferentes formatos narrativos abordando com sensibilidade temáticas relevantes e sempre mantendo a coerência autoral, Daniel Ribeiro reafirma seu papel como uma das vozes mais consistentes do audiovisual brasileiro contemporâneo, ampliando o alcance de histórias que exploram novas formas de representação no cinema.



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