Clássicos dos italianos Visconti e Antonioni, dois documentários de Sinai Sganzerla e filme que consagrou os irmãos Dardenne em Cannes, disponíveis no Sesc Digital

Cena de O Jovem Ahmed de Jean-Pierre e Luc Dardenne. Foto: Christine Plenus 

A partir de 16 de dezembro, o Sesc Digital agrega à sua curadoria cinematográfica, uma nova seleção de filmes, reunindo clássicos do cinema moderno e títulos da produção brasileira contemporânea. Disponíveis no sesc.digital e no aplicativo Sesc Digital, os filmes permanecem em cartaz até fevereiro ou junho de 2026, ampliando o acesso do público a obras que não podem faltar no repertório dos fãs da sétima arte. 

O recorte internacional é aberto por “Mali Twist” (2021), de Robert Guédiguian, cineasta francês conhecido por um cinema político atento às transformações sociais e às relações humanas. Ambientado no Mali recém-independente, o filme revisita os anos 1960 a partir do encontro entre juventude, música e utopia política, combinando romance e comentário histórico ao acompanhar um amor atravessado por tensões culturais e disputas de poder. 

Do cinema brasileiro, o catálogo traz “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005), longa-metragem de estreia de Marcelo Gomes, celebrado desde seu lançamento por renovar o olhar sobre o sertão nordestino. Ambientado em 1942, o filme acompanha a improvável parceria entre um alemão fugitivo da guerra e um sertanejo em meio à seca, propondo uma delicada reflexão sobre deslocamento, amizade e a chegada do cinema a regiões até então afastadas da experiência audiovisual. 

A programação inclui ainda dois documentários de Sinai Sganzerla, cineasta brasileira cuja obra tem sido associada a uma investigação das relações entre território, memória e política. Em “Praia da Saudade” (2024), a diretora aborda os impactos do capitalismo e das mudanças climáticas sobre culturas e modos de vida, em diálogo com personagens como Sonia Guajajara e Sidarta Ribeiro. Já “O Desmonte do Monte” (2017) revisita a história do Morro do Castelo, no Rio de Janeiro, símbolo fundador da cidade destruído em nome de reformas urbanas higienistas, tema recorrente em debates sobre memória urbana e apagamento histórico. 

Entre os títulos europeus contemporâneos, destaca-se “O Jovem Ahmed” (2019), dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, vencedores de melhor direção em Cannes, com a obra. O filme acompanha um adolescente belga em processo de radicalização religiosa, tratando o tema com a sobriedade estética que caracterizam a filmografia da dupla, interessada menos no choque do ato extremo do que nas contradições morais que o antecedem. 

O diálogo com a história do cinema se aprofunda com dois clássicos do cinema italiano. “Violência e Paixão” (1974), de Luchino Visconti, reúne Burt Lancaster, Helmut Berger e Silvana Mangano em uma reflexão sobre solidão, decadência e conflito de gerações, uma síntese tardia do olhar aristocrático e melancólico do diretor. Já “A Aventura” (1960), de Michelangelo Antonioni, marco do cinema moderno, redefiniu a narrativa cinematográfica ao transformar o desaparecimento de uma personagem em ponto de partida para um estudo sobre o vazio e o mal-estar da burguesia, consagrando Monica Vitti como um dos rostos centrais do período. 

Todos os filmes estão disponíveis gratuitamente no Sesc Digital, com acesso em sesc.digital e no aplicativo Sesc Digital, nas lojas Google Play e Apple Store. 

SERVIÇO: 

Acesse gratuitamente sesc.digital 
Ou baixe o aplicativo, disponível para download nas lojas Google Play e App Store 

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