A Estação, longa de Cristina Maure, coproduzido por Brasil e Uruguai, estreia nos cinemas dia 13 de junho

      

  Quando Sofia, uma mulher misteriosa, chega caminhando à estação “Vila Clemência” na esperança de pegar um trem, não imaginava o curso que sua vida tomaria. 

            Assim começa A Estação, primeira ficção da diretora mineira Cristina Maure, rodado durante a pandemia, e que chega aos cinemas brasileiros em 13 de junho. 

            Cris Maure explica a saga de Sofia, com uma analogia à vida. "O filme fala do acaso, do pouco controle que temos sobre o nosso próprio percurso, dos confinamentos humanos. De como mesmo planejando cada passo, podemos acabar trilhando caminhos nunca antes imaginados."  

            O filme começa a partir de um encontro da diretora com a Jimena Castiglioni, onde nasce a vontade de fazerem um filme de personagens marcantes, das inquietudes e esquisitices humanas que permeiam as existências e da certeza da falta de qualquer controle da vida. O processo levou quase 10 anos, com uma interrupção na pré-produção em 2020 com a pandemia. Enquanto isso, a diretora e Luciana Baseggio, fotógrafa, se debruçaram sobre o roteiro, escrito por Cristina com Jimena Castiglioni e Joana Oliveira, para desenhar o conceito e linguagem que pudessem contribuir e comungar com a história, em inúmeros encontros, decupando cada cena, e inevitavelmente, incluindo a quarentena no clima cinematográfico, no roteiro e na estética. 

            Após um ano, as produtoras retomam a pré-produção, optando pelo isolamento total do elenco e equipe técnica para as filmagens. Ao longo de cinco semanas dividiram o set, vivenciando o confinamento proposto pelo roteiro.  

            Esta preocupação com a proposta cinematográfica é evidente no filme. Selecionado para a mostra Foco Minas, do Festival de Tiradentes em 2024, o filme mereceu um texto dos curadores, onde a estética adotada merece destaque. "A história tem algo de literário e nos remete à produção literária e teatral européia do período da Segunda Guerra – algo entre o teatro do absurdo e o surrealismo – e soa, como a protagonista Sofia, estranha no seu tempo. É um filme com camadas anacrônicas: tudo nos evoca uma época passada, nas falas, nos trajes, na trama de viagem de trem e na dramaturgia de época. Cada sujeito, desejo e paisagem é uma projeção fantasmática. Temos o preto e branco, o acento teatral na espacialidade e na marcação dos atores e atrizes nos interiores, as paisagens como um afresco em que o p&b e o vazio assumem uma atmosfera quase digressiva e os personagens parecem estarem sempre entre a vigília e o sonho." 

            O elenco é outro destaque do filme. Com nomes provenientes do teatro mineiro como Rodolfo Vaz, Eid Ribeiro, Magdale Alves, Docy Moreira, Bruna Chiaradia, Pedro Lanna e Eliseu Custodio e Jimena Castiglioni, há 20 anos no Brasil. No elenco tem também o ator mirim Katu Sanglard e o Rafael Martini, compositor mineiro, que assina a trilha musical também junto ao músico uruguaio Hugo Fattorusso.  

            O filme é uma coprodução entre Brasil e Uruguai e para Jimena, conseguir concretizar a parceria entre Brasil e Uruguai é um sonho antigo, já que ela é uruguaia e mora no Brasil há 21 anos. Ela sente que os dois países têm muito para trocar esteticamente, mas esse fluxo ainda não acontece muito. “Encontramos a Natacha, produtora e sócia da Lavoragine Filmes, que se apaixonou pelo projeto desde o começo, quando ainda era uma primeira versão do roteiro. Ela gostou da história, e de ser um projeto conduzido basicamente por mulheres. Após algumas tentativas de editais, entendemos que o melhor desenho para o projeto seria finalizar ele no Uruguai. Para isso, a Natacha tinha uma equipe de total confiança e qualidade artística. Ela trouxe o Guillermo Casanova, sócio também da Lavoragine, que montou o filme em um período de imersão no Uruguai junto com Jimena e Cristina. E trouxe também o Hugo Fattorusso, considerado um dos melhores acordeonistas do mundo, além de exímio compositor. O acordeom era um desejo desde o início, e a possibilidade de ter o Hugo na equipe parecia uma utopia, mas, ele aceitou na primeira reunião. Rafael Martini que compõe e executa as músicas ao vivo no filme também ficou muito feliz com esta notícia pois admirava o Hugo desde sempre. ”  

            A Estação estreia nos cinemas a partir de 13 de junho com uma proposta de distribuição alternativa, horizontal, buscando poucas sessões por dia em salas que valorizem o cinema de arte e independente. O filme também será distribuído no Uruguai logo após o lançamento no Brasil.


A Estação

Brasil | Uruguai - Ficção - 103min - 2023 - classificação indicativa

Direção: Cristina Maure

Elenco: Jimena Castiglioni, Rodolfo Vaz , Eid Ribeiro , Bruna Chiaradia, Docy Moreira, Eliseu Custódio, Rafael Martini, Pedro Lanna, Katu Sanglard, Magdale Alves

Sinopse curta: Sofia vai atrás de um amor e precisa pegar um trem. Mas, na estação ferroviária que fica no meio do nada, não se sabe quando o trem passará.

Sinopse

A Estação conta a história de Sofia, uma mulher misteriosa que chega caminhando à “Vila Clemência” na esperança de pegar um trem, pois o comboio no qual estava quebrou. Como o trem não aparece, Sofia é obrigada a se hospedar na pensão que a Companhia Ferroviária Nacional oferece aos passageiros que, por acaso, chegam até ali. Assim inicia-se a sua saga que consiste em tentar sair daquele lugar para ir atrás de seu marido, que a abandonou por uma outra mulher. Vemos o convívio dela com os outros passageiros que ali moram, alguns deles há muito tempo, e, como cada um lida com a espera de um trem que pode passar várias vezes ao ano ou pode ficar mais de 10 anos sem passar.  São pessoas solitárias que estão juntas pelo acaso e aguardam que em algum momento possam tomar outros rumos.

O filme fala do acaso, do pouco controle que temos sobre o nosso próprio percurso, dos confinamentos humanos. De como mesmo planejando cada passo, podemos acabar trilhando caminhos nunca antes imaginados. 

O filme foi rodado em plena pandemia. Toda a equipe e elenco viveram durante a filmagem o processo de confinamento real assim como os personagens dessa ficção. 

Ficha Técnica

Direção – Cristina Maure

Roteiro – Cristina Maure, Jimena Castiglioni e Joana Oliveira

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