Crítica Filme - Corpo e Alma - Rita Vaz


“Corpo e Alma” é um filme que fala de amor, mas de um modo completamente surreal, e faz isso de uma forma tal, que ele não sai da sua cabeça durante um bom tempo.
O longa conta a história de Mária e Endre, dois desconhecidos que tem problemas em se inserir na sociedade.
Mária é uma mulher que prefere a distância das pessoas, ela não expressa reações emocionais em seu rosto, não toca e não gosta de ser tocada pelas pessoas e tem um porte robótico.
Endre é um homem de poucos amigos, já sofreu de amor no passado e prefere a rotina da solidão à possibilidade de sofrer com alguém novamente.
O que ambos têm em comum, além dessa relação insólita com pessoas, é o fato de trabalharem na mesma empresa, um abatedouro de gado.
Endre é o diretor financeiro do matadouro onde Mária começa a trabalhar na função de controle de qualidade. Função essa que ela executa com precisão milimétrica.
Depois de um pequeno incidente na empresa onde os funcionários são entrevistados por uma psicóloga, os dois descobrem que estão tendo o mesmo sonho, há algum tempo.
Eles não imaginavam que durante seus sonhos se encontravam em uma floresta coberta de gelo, sendo que ambos eram cervos, um macho e uma fêmea, os únicos animais naquela cena, que através de aproximações, olhares, e cheiros se conheciam.
Depois dessa descoberta eles tentam trazer para o real, a possibilidade de se relacionarem como duas pessoas normais.
O longa da diretora húngara Ildiko Envedi consegue entregar um filme, onde o espectador fica encantado com cenas poéticas onde a fantasia se torna uma forma de encontro e chocado com cenas cruéis onde um abatedouro é o local de trabalho dos protagonistas.
A atriz Alexandra Borbély entrega uma Mária endurecida e cheia de conflitos internos que ao passar do tempo, tenta de uma forma até engraçada, se tornar uma pessoa mais emocional.
Morcsánvi Géza que interpreta Endre entega um personagem de rotina apagada e abatido, tanto pela restrição que tem em um braço, quanto pela solidão.
A fantasia está perfeitamente colocada nessa história que fala de amor e de relações humanas.
O filme venceu o Urso de Ouro de Melhor Filme no Festival de Berlim e é um dos nove, que ainda concorre à disputa ao Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro.
Apesar de achar que é um filme para poucas plateias, recomendo para quem gosta do gênero.

Título Original: Teströl és Lélekröl
Gênero: Drama
Duração: 1 hora e 56 minutos
Ano de Lançamento: 2017
Direção: Ildiko Enyedi
Elenco: Alexandra Borbély, Morcsánvi Géza, Zoltán Schneider, Ervin Nagy.


RITA VAZ

Nenhum comentário: