Projeto realizado pelo Instituto Hercule Florence e pela Documenta Pantanal reúne filmes que percorrem a Amazônia, o Pantanal e outros territórios brasileiros para discutir memória, identidade e crise ambiental
Amazônia Sociedade Anônima, de Estêvão Ciavatta | Crédito: Divulgação
Como parte do projeto Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos depois, idealizado pelo Instituto Hercule Florence (IHF), a Documenta Pantanal realiza, de 16 de junho a 25 de junho, a mostra de cinema Langsdorff 200, no Centro Cultural MariAntonia, no auditório da BBM e no Cinema do IMS. Com curadoria de Mônica Guimarães, produtora cultural com ampla trajetória no audiovisual documental, a iniciativa propõe uma travessia cinematográfica inspirada no percurso da histórica expedição que cruzou o país no século XIX, reunindo obras que investigam as relações entre natureza, território, identidade, memória e modos de vida no Brasil.
Chefiada por Georg Heinrich von Langsdorff e financiada pelo Império Russo do czar Alexandre I, a expedição que partiu de Porto Feliz (SP, em 22 de junho de 1826, foi uma das mais ambiciosas incursões científicas já realizadas pelo interior do Brasil. A travessia fluvial teve o desenhista e inventor Hercule Florence como uma de suas principais testemunhas. Coube a ele registrar paisagens, espécies e culturas que compuseram um inventário essencial para a construção da imagem do Brasil daquela época.
“Se no século XIX os viajantes registraram o Brasil por meio de desenhos, diários e aquarelas, hoje o cinema amplia esse gesto, trazendo novas camadas de leitura sobre os mesmos territórios e seus desafios", pontua a curadora. “Assim como a expedição Langsdorff reuniu diferentes saberes para compreender o país, a mostra aposta na diversidade de perspectivas como forma de ampliar o debate contemporâneo sobre preservação, desenvolvimento e futuro.”
O ciclo é composto por 17 filmes, entre longas, média e curta-metragens, organizados em oito eixos temáticos — Expedições e Descobertas; Exploração e Resistência; Povos Indígenas, Guardiões da Floresta; Rios e Travessias; Amazônia Mítica e Real; Pantanal Vivo; Cidades e Natureza; Natureza Poética — que estruturam diferentes perspectivas sobre a paisagem brasileira e suas transformações.
Mãri Hi – A Árvore do Sonho, de Morzaniel Iramari Yanomami | Crédito: Morzaniel Iramari
Entre os destaques da programação estão filmes de Jorge Bodanzky, como Ruivaldo, O Homem Que Salvou a Terra e Iracema, que abordam questões sociais e ambientais a partir de diferentes momentos da história recente do país. Inclui ainda Sinfonia da Sobrevivência, de Michel Coeli, e Segredos do Putumayo, de Aurélio Michiles – obra que chama atenção pela atualidade de sua abordagem.
Integrada à exposição, em cartaz na BBM-USP até 26 de junho, e às demais atividades do projeto, os filmes ampliam o debate sobre o país que fomos, o que nos tornamos e os caminhos possíveis daqui em diante. “Mais do que revisitar uma expedição histórica, a mostra convida o público a uma nova jornada: não mais de descoberta, mas de compreensão. Trata-se de um exercício coletivo de olhar, escutar e imaginar outras formas de convivência com o mundo natural", afirma Antonio Florence, tetraneto de Hercule Florence e fundador do instituto que celebra sua trajetória, o IHF.
O encerramento da Mostra vai se dar com uma sessão especial no Cinema do IMS, com a exibição de A queda do céu, de Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha. O documentário retrata a comunidade Watoriki durante o importante ritual funerário Reahu, um esforço coletivo para segurar o céu.
Sobre a curadora
Mônica Guimarães é produtora cultural nas áreas de audiovisual e artes cênicas, com ênfase em documentários. Produtora do festival É Tudo Verdade por 22 edições, até 2025, é também proprietária da MoG Produtora e, desde 2019, coordena a Documenta Pantanal, iniciativa dedicada à produção audiovisual, editorial e expositiva sobre o bioma brasileiro.
Sobre o projeto
O projeto Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos depois revisita uma das mais importantes expedições científicas realizadas no Brasil no século XIX para refletir sobre os desafios ambientais e civilizatórios contemporâneos. Ao marcar o bicentenário da viagem liderada pelo Barão Georg Heinrich von Langsdorff, a iniciativa propõe um diálogo entre passado e futuro, articulando ciência, arte e memória para compreender as transformações do território brasileiro ao longo de dois séculos.
Realizado pelo Instituto Hercule Florence e pela Documenta Pantanal, em parceria com a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM-USP), o Instituto Moreira Salles (IMS) e o Centro Maria Antônia da USP, o projeto reúne uma programação multidisciplinar que inclui exposição, mostra de cinema e lançamento de publicações.
Inaugurada em 31 de março de 2026, na BBM-USP, a exposição homônima fica em cartaz até dia 26 de junho e reúne trabalhos e manuscritos de Hercule Florence justapostos a fotografias de nomes contemporâneos como Lalo de Almeida, Paula Sampaio, Miguel Chikaoka e João Pompeu.
Programação na íntegra:
Auditório BBM - USP
16 de junho, terça-feira:
15h00 – 500 ALMAS ( 109'), Joel Pizzini
17h00 – SEGREDOS DO PUTUMAYO (83'), de Aurélio Michiles
17 de junho, quarta-feira:
15h00 – O ÚLTIMO AZUL (87'), de Gabriel Mascaro
17h00 – SUKANDE KASÁKÁ | TERRA DOENTE (30'), de Kamikia Kisedje e Fred Rahal + SOBRE RIOS E CÓRREGOS (27'), de Camilo Tavares
18 de junho, quinta-feira:
15h00 – RUIVALDO, O HOMEM QUE SALVOU A TERRA (45'), de Jorge Bodanzky + RIO DESBOCADO (41'), de Frico Guimarães
17h00 – PARALELO 10 (87'), de Silvio Da-Rin
19 de junho, sexta-feira:
15h00 – AMAZÔNIA SOCIEDADE ANÔNIMA (72'), de Estêvão Ciavatta
17h00 – PLANURAS (48'), de Maurício Copetti + MARI HI - A ÁRVORE (17'), de Morzaniel Ɨramari
22 de junho, segunda-feira
15h00 – IRACEMA, UMA TRANSA AMAZÔNICA (90'), de Jorge Bodanzky e Orlando Senna
24 de junho, quarta-feira
15h00 – ILHA DAS FLORES, de Jorge Furtado + RUA DO PESCADOR, Nº 6 (72'), de Bárbara Paz
17h00 – SINFONIA DA SOBREVIVÊNCIA (77'), de Michel Coeli
25 de junho, quinta-feira
15h00 – MUNDURUKUYU (72'), de Beka Munduruku, Aldira Akay e Rilcélia Akay
MariAntonia
17 de junho, quarta-feira:
16h00 – SINFONIA DA SOBREVIVÊNCIA (77'), de Michel Coeli
22 de junho, segunda-feira
16h00 – RUIVALDO, O HOMEM QUE SALVOU A TERRA (45'), de Jorge Bodanzky + RIO DESBOCADO (41'), de Frico Guimarães
24 de junho, quarta-feira
16h00 – SUKANDE KASÁKÁ | TERRA DOENTE (30'), de Kamikia Kisedje e Fred Rahal + SOBRE RIOS E CÓRREGOS (27'), de Camilo Tavares
Cinema do IMS Paulista – Sessão de encerramento
25 de junho, quinta-feira
19h00 – A QUEDA DO CÉU (110'), de Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha
SERVIÇO:
Centro MariAntônia — USP
Endereço: Rua Maria Antônia, 294 — Vila Buarque, São Paulo — SP
Horário: terça a domingo e feriados, das 10h às 18h; segundas, fechado
Instituto Moreira Salles — IMS Paulista
Endereço: Avenida Paulista, 2424 — Bela Vista, São Paulo — SP
Horário: terça a domingo, das 10h às 20h; segundas, fechado
Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin — BBM-USP
Endereço: Rua da Biblioteca, 21 — Cidade Universitária, São Paulo — SP
Horário: segunda a sexta, das 8h30 às 20h30; sábados, das 9h às 13h; domingos e feriados, fechado
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