Cinco estreias chegam ao catálogo, do realismo de Maurice Pialat ao mistério real da cantora Q Lazzarus, eterna voz de "Goodbye Horses"
Aos Nossos Amores (1983), de Maurice Pialat
Sexta-feira é dia de estreias na FILMICCA. Neste dia 12 de junho, cinco produções chegam à plataforma e ampliam o catálogo com histórias que vão do despertar de uma adolescente na França dos anos 1980 a uma distopia alemã em que a reunificação nunca aconteceu, passando pela vida misteriosa da cantora por trás de ‘Goodbye Horses’, clássico cult da trilha de ‘O Silêncio dos Inocentes’ (1991).
O cinema francês vem representado em dose dupla: Aos Nossos Amores (1983), obra-prima de Maurice Pialat que revelou Sandrine Bonnaire e venceu o César de Melhor Filme, e Olivia (1951), marco da representação lésbica no cinema dirigido por Jacqueline Audry, uma das únicas mulheres a dirigir na França de sua época. Completam a lista o documentário Goodbye Horses: As Várias Vidas de Q Lazzarus (2024), a ficção científica cult Pankow '95 (1984), com Udo Kier e participação de Nina Hagen, e Zefiro Torna ou Cenas da Vida de George Maciunas (1992), retrato afetivo que Jonas Mekas dedicou ao fundador do movimento Fluxus.
Vencedor do Prix Louis Delluc 1983 e César de Melhor Filme 1984, Aos Nossos Amores (1983), de Maurice Pialat, é considerada a obra que consolidou o cineasta como figura central do cinema francês.
Na produção, a adolescente Suzanne (Sandrine Bonnaire) busca refúgio de sua família em desintegração, enquanto sua sexualidade à flor da pele intensifica ainda mais a paixão reprimida de seu irmão narcisista, a insegurança de sua mãe e o autoritarismo de seu pai introspectivo.
Vinda de uma família operária, a atriz Sandrine Bonnaire tinha 15/16 anos e era completamente desconhecida antes da gravação do filme. Por sua atuação poderosa em Aos Nossos Amores, a jovem venceu o César de Atriz Revelação.
Dirigido por Eva Aridjis, o documentário Goodbye Horses: As Várias Vidas de Q Lazzarus (2024) acompanha a trajetória de Diane Luckey, descoberta por Jonathan Demme em 1987 durante uma corrida de táxi dirigida por ela mesma e eternizada pela cena em que ‘Goodbye Horses’ embala a dança de Buffalo Bill em ‘O Silêncio dos Inocentes’ (1991), uma das mais icônicas do cinema americano. Apesar do culto em torno da canção, a artista nunca conseguiu um contrato com uma gravadora e abandonou a vida pública, enquanto sua música ganhava novas gerações de fãs.
O reencontro que deu origem ao filme aconteceu por acaso: em 2019, a diretora entrou em um carro de aplicativo em Nova York e reconheceu a motorista. Era Q Lazzarus. Juntas, elas iniciaram o documentário, rodado até a morte da cantora, em 2022. O filme é narrado pela própria voz de Diane e revela um acervo de gravações inéditas dos anos 1980 e 1990, registradas em fitas cassete que a artista entregou à diretora.
Marco da representação lésbica no cinema, Olivia (1951) é dirigido por Jacqueline Audry, uma das únicas mulheres a dirigir no cinema francês de sua época, e adaptado do romance semiautobiográfico de Dorothy Bussy pela irmã da cineasta, a escritora Colette Audry. Censurado por décadas, o filme foi recentemente restaurado e redescoberto pela crítica internacional como precursor de obras contemporâneas.
Na trama, acompanhamos o despertar das paixões de Olivia (Marie-Claire Olivia), uma adolescente inglesa enviada para um pequeno internato nos arredores de Paris. Inocente, porém atenta, ela desenvolve uma paixão por sua diretora, Julie (Edwige Feuillère), e, através dessa cortina de amor, observa o tenso romance entre Julie e a outra diretora da escola, Cara, vivida por Simone Simon, a eterna protagonista de Sangue de Pantera, de Jacques Tourneur.
Dirigido e roteirizado por Gábor Altorjay e protagonizado por Udo Kier no papel do musicólogo marxista Wolfgang Amadeus Zart, Pankow 95’ (1984) retrata o sistema capitalista em colapso e a Alemanha Oriental com graves problemas econômicos.
Conhecido do público brasileiro por ‘Bacurau’ (2019) e ‘O Agente Secreto’ (2025) e por suas colaborações com Andy Warhol e Rainer Werner Fassbinde, Udo Kier lidera um elenco cult que inclui Christine Kaufmann, Magdalena Montezuma e Nina Hagen. Pankow 95’ foi restaurado em 2021 e redescoberto como uma das grandes curiosidades da história do cinema alemão.
Em Zefiro Torna (1992), o lendário cineasta Jonas Mekas presta homenagem ao amigo e conterrâneo lituano George Maciunas, fundador do movimento Fluxus, que revolucionou a arte dos anos 1960 e reuniu nomes como Yoko Ono e Nam June Paik. Embalado por madrigais de Monteverdi, compositor favorito de Maciunas, e narrado pelo próprio Mekas lendo seus diários, o filme é considerado um dos trabalhos mais emotivos do mestre do cinema-diário.
A produção retrata a vida e a obra do artista a partir de trechos filmados por Mekas entre 1952 e 1978, das reuniões de família aos eventos e performances do Fluxus, passando por piqueniques com amigos como Andy Warhol, John Lennon e Yoko Ono, até os registros finais, feitos pouco antes da morte precoce de Maciunas.
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