DIRIGIDOS POR KARIM AÏNOUZ, MARINHEIRO DAS MONTANHAS E NARDJES A. CHEGAM AOS CINEMAS NESTA QUINTA-FEIRA, 28 DE SETEMBRO

Um dos mais prestigiados cineastas brasileiros da atualidade – dentro e fora do país –, Karim Aïnouz volta ao circuito no dia 28 de setembro, com dois novos longas-metragens. Após exibir “Firebrand” – seu primeiro filme em língua inglesa, com Jude Law e Alicia Vikander – na última edição do Festival de Cannes, o diretor agora leva aos cinemas nacionais os documentários MARINHEIRO DAS MONTANHAS e NARDJES A.

Com lançamento simultâneo e exclusivo nos cinemas, ambos os filmes podem ser assistidos a partir desta quinta-feira, 28 de setembro, nas seguintes praças: São Paulo, Rio de Janeiro, Aracaju, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Salvador e Santa Catarina. A classificação indicativa é livre.

“É uma alegria muito grande ter dois filmes no circuito nacional. Esses filmes foram gestados em um mundo pré-pandêmico e foram concluídos durante a pandemia. Fico muito feliz de lançá-los agora nos cinemas porque terminaram sendo represados por conta disso”, afirma Aïnouz. “Também fico muito feliz com o lançamento conjunto, nesse momento em que estamos aos poucos processando o trauma e a distopia a que fomos submetidos durante o mandato da extrema-direita porque os longas falam de utopia e da capacidade de sonhar mundos mais justos.”

Considerado o projeto mais pessoal de sua carreira, MARINHEIRO DAS MONTANHAS integrou a programação de importantes festivais ao redor do mundo, incluindo uma aclamada passagem por Cannes, em 2021. O documentário narra a jornada do cineasta pela Argélia, onde investiga a história do pai, um homem que só conheceu por fotografias, para compreender as suas próprias origens. O longa-metragem terá pré-estreias pagas no dia 18 de setembro, no Rio de Janeiro (Estação Net Gávea, às 21h), e no dia 19, em São Paulo (Espaço Itaú Augusta, às 21h).

“É um filme íntimo, delicado e quase experimental, espero que o público embarque nele de corpo e alma”, afirma Aïnouz, que está na fase final das filmagens de “Motel Destino”, no Ceará, e se prepara para rodar o seu segundo longa internacional, “Rosebushpruning”.

Exibido no Festival de Berlim, em 2020, NARDJES A. foi filmado com um smartphone justamente durante a pré-produção do longa acima citado, em uma viagem do diretor a Argel, capital do país africano. Nele, Karim acompanha um dia na vida de uma ativista enquanto ela se junta aos milhares de manifestantes que vão às ruas para derrubar o regime que os silenciou ao longo de décadas.

“Eu queria que esse filme fosse ousado, alto, barulhento, rápido e voraz, como as manifestações que invadiram as ruas de Argel. Os protestos ressoaram para além da Argélia. Foi emocionante testemunhar aqueles eventos que vinham carregados de uma força e alegria contagiantes. A gente fala de uma geração que teve seu futuro roubado, mas ainda encontra na esperança um lugar fértil para imaginar o amanhã. Pensando no nosso mundo hoje, a Argel de 2019 está em todo lugar”, reflete o diretor premiado na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes, com “A Vida Invisível”, em 2019.

Sobre MARINHEIRO DAS MONTANHAS

MARINHEIRO DAS MONTANHAS é um diário de bordo realizado na primeira viagem do cineasta ao país de origem de seu pai, a Argélia. O processo de conclusão do projeto se deu durante a pandemia, quando o diretor se debruçou sobre o material filmado em janeiro de 2019, data da sua travessia de barco pelo Mar Mediterrâneo até o país, antes de seguir até Cordilheira do Atlas, no norte da nação africana.

“Com MARINHEIRO DAS MONTANHAS, eu quis correr o risco que a maturidade e a experiência me permitem. Antes de tudo, um risco artístico ao me distanciar do que sei, abrindo o projeto ao inesperado. O risco também de me ver enfrentando minhas origens”, reflete Karim.

O documentário é todo narrado por Karim, em forma de uma carta para a já falecida mãe, Iracema, que ocupa o lugar de uma companheira imaginária de viagem. Enquanto relata e comenta episódios da jornada, reativa memórias familiares e revela os muitos sentimentos contraditórios que marcam o seu percurso.

Do susto no desembarque – quando, pela primeira vez na vida, não precisou soletrar o nome – até a chegada na aldeia onde seu pai nasceu e foi criado, o diretor expressa com honestidade as suas impressões e descobertas na viagem ao país africano.

O longa é uma produção da VideoFilmes, com coprodução da Globo Filmes, Globo News, em associação com MPM Film, Big Sister, Watchmen e Cinema Inflamável, e distribuição da Gullane. MARINHEIRO DAS MONTANHAS conta ainda com a colaboração do Projeto Paradiso, iniciativa filantrópica que, através do programa Brasil no Mundo, apoiou a participação do filme na 74ª edição do Festival de Cannes.

Sinopse

MARINHEIRO DAS MONTANHAS é um diário de viagem filmado na primeira ida de Karim Aïnouz à Argélia, país em que seu pai nasceu. Entre registros da viagem, filmagens caseiras, fotografias de família, arquivos históricos e trechos de super-8, o longa opera uma costura fina entre a história de amor dos pais do diretor, a Guerra de Independência Argelina, memórias de infância e os contrastes entre Cabília (região montanhosa no norte da Argélia) e Fortaleza, cidade natal de Karim e de sua mãe, Iracema. Passado, presente e futuro se entrelaçam em uma singular travessia.


                                                       Sobre NARDJES A.

Karim Aïnouz realizou a produção de NARDJES A. durante as manifestações que tomaram conta da vida política da Argélia, em 2019. Com um smartphone, o diretor faz um retrato íntimo de uma ativista que luta por um futuro democrático no país. Em meio a crises globais, o documentário simboliza o ardor das jovens gerações de 2020 que invadiram as ruas exigindo tempos melhores em todo o mundo.

NARDJES A. é uma coprodução entre Alemanha (Watchmen Productions), França (MPM Film), Argélia (Show Guest Entertainment), Brasil (Cinema Inflamável e Canal Brasil) e Qatar (Instituto de Cinema de Doha) e distribuição da Gullane.

Sinopse

Argélia, fevereiro de 2019. Uma onda de protestos populares de cunho pacífico toma as ruas de Argel contra a apresentação da 5ª candidatura do então presidente Bouteflika. Nardjes, uma jovem militante argelina, encontra no movimento um espaço para reivindicar um futuro melhor para a sua geração. Filmado em 8 de março de 2019, NARDJES A. retrata um dia na vida da ativista enquanto ela se junta aos milhares de manifestantes nas ruas de Argel que seguem em luta para derrubar o regime que os silenciou por décadas. Seguimos seus passos em meio a um momento histórico para seu país.

Nota do Diretor

Esta foi minha primeira viagem à Argélia, país de origem de meu pai, que eu só conhecia por nome e foto, mas que sempre habitou a minha imaginação como uma promessa de pertencimento. Eu estava lá para a pré-produção de um projeto muito pessoal, MARINHEIRO DAS MONTANHAS, um filme sobre como se deu a improvável história de amor dos meus pais, o filme que sempre sonhei fazer. Chegar à Argélia no início de 2019 foi absolutamente brutal.

Argel estava eletrizada em torno de uma atmosfera de luta e esperança. De repente, filmar NARDJES A. surgiu como algo vital. Este é um filme urgente. O barulho das ruas e a agitação da cidade ocupada por uma juventude febril me convenceram de que durante aquelas 24 horas não havia nada mais importante a ser retratado: Argel estava efervescente.

Eu, que acabei aprendendo sobre a Revolução da Argélia nos livros de história, muito embora tendo sempre nutrido uma sensação estranha de familiaridade com o país, agora estava tendo a sensação de testemunhar algo enorme: uma onda de manifestações que, por muitos meses, ocupou toda sexta-feira as ruas da capital, reivindicando liberdade e democracia. Há algo extremamente bonito e poderoso sobre como essas três gerações se uniram naquele momento. Os jovens que se manifestavam pacificamente nas ruas são netos daqueles que encaparam a revolução de Independência nos anos 60. O que aconteceu? O que deu errado? O que deveria ter sido diferente?

Assim que conhecemos Nardjes, à época com 26 anos, de alguma forma reconhecemos o filme. A princípio o que me atraiu foi a possibilidade de através de sua vida capturar uma visão mais subjetiva do que estava acontecendo. Filmar essas 24 horas ao seu lado foi a maneira como conseguimos nos aproximar do significado do que estava acontecendo nas ruas. Não se tratava apenas da renúncia de um presidente, mas de um silenciamento sistemático, de um encurtamento de horizontes e de uma reverberação potente de todos os sentimentos profundos que estão presentes nas ruas, agora condensados pelas demandas dos manifestantes ocupavam essas mesmas ruas.

Eu queria que esse filme fosse ousado, alto, barulhento, rápido e voraz, como as manifestações foram. As manifestações de Argel ressoam além da Argélia. Eles falam de uma geração que teve seu futuro roubado, mas ainda encontra na esperança um lugar fértil para imaginar o amanhã.

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