“VISÕES DO IMPÉRIO”, longa dirigido pela cineasta portuguesa Joana Pontes estreia em SP e Rio de Janeiro no próximo dia 10/03

 


Visões do Império Visions of Empire / Portugal, 2020, Documentário, Cor, 93 min.

Visões do Império é uma viagem coletiva ao passado colonial através de uma seleção de fotografias do império português, captadas desde os finais do século XIX até à Revolução de Abril de 1974, que pôs fim tanto ao regime político que governava Portugal, como ao estatuto colonial de vários territórios africanos que só em 1975, depois de uma longa guerra, se tornaram países independentes.

As reflexões suscitadas pela revisitação de fotografias da infância da realizadora em Angola são o fio condutor de uma procura de contextos e sentidos sobre a documentação fotográfica do império colonial português, existente em Portugal.

Essas perguntas levaram a realizadora, Joana Pontes, ao encontro de dois investigadores, Filipa Lowndes Vicente e Miguel Bandeira Jerónimo. Com Filipa, descobrimos os locais onde hoje se compram e vendem fotografias e postais realizados em contextos coloniais e os arquivos onde se guardam as milhares e milhares de imagens relacionadas com o passado imperial português, reflectindo sobre os problemas historiográficos e éticos associados aos seus usos. Pela mão de Miguel, percebemos as diferentes apropriações da fotografia como instrumento político, propagandístico, documental e probatório, por exemplo ao serviço de uma suposta “missão civilizadora” colonial ou, pelo contrário, da denúncia das iniquidades recorrentes da dominação colonial. A busca pessoal da realizadora revela a relação diversa que diferentes pessoas – de colecionadores e comerciantes a arquivistas e académicos – têm hoje com o tão vasto e heterogêneo arquivo fotográfico centrado no antigo império colonial português, nos seus territórios, recursos e populações.

Revela ainda como a coincidência temporal entre o colonialismo moderno e a crescente democratização da câmera fotográfica tornou a prática fotográfica num elemento central na imaginação e construção do projeto imperial.  A fotografia é, assim, um objeto indispensável para repensar criticamente a história do colonialismo, incluindo o português.

SINOPSE

Um filme sobre o modo de como o império português e sua história foram imaginados, documentados e publicados a partir da fotografia, desde o final do século 19 até a revolução que, em 1974, pôs fim ao regime político autoritário que governava Portugal.

NOTA DA REALIZADORA

Abrimos um álbum de fotografias antigas e vemos os nossos avós, pais, irmãos, primos, tios, amigos, mas também os locais, as paisagens e os objetos que compõem a nossa história pessoal. Sem esta memória fotográfica e sem os pormenores que realçam o trajeto único que faz da nossa, uma vida diferente de outras e, ao mesmo tempo, uma vida semelhante a tantas, a nossa história apresentar-se-ia mais difusa.

Conheci os historiadores Miguel Bandeira Jerónimo e Filipa Lowndes Vicente em 2011. Com eles foi-me possível repensar o que já sabia da colonização portuguesa e começar a vê-la sob outra luz. Dos interesses comuns nasceu a ideia deste projeto: revelar como a fotografia esteve presente na construção do império colonial português, como contribui para a sua compreensão e faz parte da sua memória. No sentido mais lato, o cruzamento destes dois meios,  o do documentário e o da investigação histórica, permite ver o que ainda não se viu ou o que apenas se conhece a partir de outros retratos, através de imagens que são parte da memória privada de pessoas, anónimas ou não, e de instituições que as têm à sua guarda. Será a nossa apropriação que as constituirá em sinais, fundamentais para decifrar o que fomos, como, hoje, vivemos e somos.

Todos somos agentes da história, fazemos parte dela. Contribuímos para a sua formação, mas também para a sua narração e memória. Objetos, vestígios, documentos e memórias do passado não estão apenas nos arquivos oficiais, púbicos ou privados. Estão também nas nossas casas e são produzidos por nós. Neste sentido, os arquivos do colonial são quase infinitos. Queremos mapear e interpelar a sua diversidade e riqueza.

Gostaríamos que o documentário surgisse também como uma forma de tomada de consciência histórica por parte das pessoas que viveram nesses espaços coloniais. Mas que funcionasse ainda como um modo através do qual as gerações nascidas já depois de 1974 conhecessem melhor um passado recente que, muitas vezes, ainda se cruza com as suas histórias de família: pais que estiveram na guerra colonial, de um ou outro lado, avós ou bisavós que lá viveram, como administradores coloniais ou como colonos migrantes à procura de melhores condições de vida. Tal como os muitos portugueses asio-descendentes (timorenses, goeses ou macaenses) e afrodescendentes (de origem guineense, cabo-verdiana, são-tomense, angolana ou moçambicana), que têm inscrita a história da nação colonizadora na sua pele, nos seus percursos e nas suas histórias.

Apreender a diversidade de lugares ocupados nos espaços coloniais e as formas pelas quais essas posições interagem com a fotografia, criando inúmeros arquivos do colonial – em diálogo, mas também em contradição - é um eixo central do nosso trabalho. Para explorar a ideia de multiplicidade – de como o mesmo objeto está presente em diferentes lugares com significados distintos – Visões do Império caracteriza- se pela diversidade de contextos, vozes e sentidos, explorando a ligação entre personagens e espaços, tendo a fotografia como intermediária.

Joana Pontes

Ficha técnica

autoria

Joana Pontes, Miguel Bandeira Jerónimo, Filipa Lowndes Vicente

realização

Joana Pontes

participação (ordem de entrada)

Sandra Paraíso, Eduardo Martinho, Filipa Lowndes Vicente, Catarina Mateus, Miguel Bandeira Jerónimo, Margarida Dias da Silva, Afonso Ramos, Carmen Rosa

produtoras

Filipa Reis, Patrícia Faria

assistentes de realização

Luís Nunes, Rui Branquinho

direção de fotografia

Rui Xavier

direção de som

Armanda Carvalho

montagem

Rui Branquinho, Joana Pontes

montagem e misturas de som

Gonçalo Ferreira

música original

Carolina Néu

colorista

Paulo Américo

assistentes de imagem

Afonso Marmelo, João Nunes

assistentes de produção

Carolina Néu, Isa Reis, Pedro Antunes, Raquel Rolim Batista, Filipa Falcão

maquilhagem

Inês Pais

transcrições

Marta Lourenço

coordenação de pós-produção

Catarina Lino

estúdios de pós-produção

Walla Collective, On Air


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