Imprensa Oficial do Estado de São Paulo lança o premiado "Dias de Faulkner", de Antonio Dutra


São Paulo, 1954: repórteres aguardam ansiosos pela chegada do DC-6 quadrimotor da companhia Braniff Airways, no aeroporto de Congonhas. O avião trazia a figura mais esperada para o I Congresso Internacional de Escritores em São Paulo: William Faulkner. Partindo da visita do célebre escritor norte-americano ao Brasil, Antônio Dutra achou o mote para o seu romance de estréia, Dias de Faulkner (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).
Vencedor do prestigiado prêmio Meet 2008, promovido pela Casa de Escritores Estrangeiros e de Tradutores de Saint-Nazaire, na França, Dutra, além de conquistar o direito de ter seu livro publicado no Brasil e na França, será convidado para uma residência de dois meses na Casa de escritores de Saint-Nazaire.
No livro, o jovem escritor carioca de 34 anos, historiador em sua origem, resgata com detalhes a ambientação da cidade de São Paulo no início da década de 1950. Apesar da precisão histórica, a narrativa, envolvente, nada tem de documental. Dutra não poupa o protagonista, apresentando um Faulkner disperso, arredio aos contatos sociais, bêbado quase o tempo inteiro – o romancista usava quase sempre o cabelo empapado de água para ver se cortava o porre.
O texto, repleto de sutilezas, traz também personagens importantes da intelectualidade da época, como Lasar Segall, Di Cavalcanti, Cecília Meirelles, Lúcio Cardoso. Este último, escreve Dutra, não teve lá uma boa impressão de Faulkner: (...) Um homem pequeno, de nariz vermelho, desses que ostentam certo gênero de bêbados (...) Um ser miúdo, mal vestido e até mesmo maltratado”.

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