Documentário de Carine Wallauer estreia em 28 de maio e transforma o edifício icônico de São Paulo em um retrato pulsante do Brasil contemporâneo
Um dos maiores símbolos arquitetônicos de São Paulo chega às telas de cinema como você nunca viu. Dirigido por Carine Wallauer, o documentário COPAN estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 28 de maio, depois de vencer a Competição Brasileira de Longas e Médias-Metragens do É Tudo Verdade 2025, maior festival de documentários da América Latina. Com distribuição da Vitrine Filmes, filme entra em cartaz nas cidades de Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Salvador e São Paulo.
Filmado dentro do edifício projetado por Oscar Niemeyer, o longa acompanha a rotina de moradores e funcionários em meio a uma eleição pela administração do condomínio. Do lado de fora, o Brasil também vive outro embate: a disputa presidencial de 2022 entre Lula e Jair Bolsonaro. Entre corredores, janelas, apartamentos e assembleias, COPAN transforma o prédio em um microcosmo das tensões políticas e sociais do país.
A seguir, cinco motivos para assistir ao filme na tela grande.
1. A fotografia transforma o Copan em cinema puro
Antes de ser diretora do longa-metragem, Carine Wallauer construiu uma trajetória como artista visual, fotógrafa e diretora de fotografia - e esse olhar aparece em cada enquadramento. O filme não se limita a registrar o prédio: ele observa suas curvas, seus vazios, seus corredores, suas frestas e seus habitantes como partes de um organismo vivo. Na tela grande, a arquitetura do Copan ganha escala, textura e presença. A câmera revela tanto a imponência dos 32 andares quanto os pequenos gestos de quem vive e trabalha ali. Carine recebeu por COPAN o prêmio de Melhor Fotografia de Longa Documentário 2026 pela ABC - Associação Brasileira de Cinematografia.
2. Um documentário premiado que fala do Brasil de hoje
Vencedor do É Tudo Verdade 2025, COPAN foi reconhecido pelo júri por sua ousadia formal, rigor estético, originalidade, precisão e delicadeza ao revelar conflitos contemporâneos. A eleição interna do condomínio, conduzida em paralelo à eleição presidencial de 2022, faz do filme um retrato sobre poder, democracia, convivência e disputa de narrativas. O longa chega aos cinemas em um momento político próximo àquele registrado pelas câmeras ao longo dos anos de filmagem: um período em que, como o atual, um Brasil polarizado politicamente voltava às urnas para decidir quem comandaria o país nos anos seguintes. Uma rachadura que reverberava, como hoje, nos mais diversos níveis de relações sociais, inclusive, dentro do próprio edifício, que também atravessava uma eleição acirrada para a escolha do síndico. Um reflexo que ainda se mostra muito atual diante da fragilidade democrática que se mantém no país. Em um único endereço, o documentário encontra um país inteiro em movimento.
3. A trilha sonora tem o DJ KL Jay (e pulsa junto com o prédio!)
A música original de COPAN é assinada por DJ KL Jay, ao lado dos filhos DJ Will e DJ Kalfani. A presença de KL Jay, fundador dos Racionais MC's e um dos maiores nomes da cena da música urbana brasileira, amplia a força sensorial do documentário e conecta o filme a uma São Paulo viva, pulsante e em constante movimento. KL Jay também é morador do COPAN e personagem do filme.
4. O edifício completa 60 anos em 2026
Símbolo modernista, o edifício concebido por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1966, no coração da Avenida Ipiranga, o Copan completa 60 anos em 2026. É o maior condomínio residencial da América Latina e funciona, no filme, como um microcosmo do Brasil contemporâneo. Do alto, suas curvas sinuosas contrastam com os múltiplos ângulos retos da paisagem de São Paulo. De frente, impressiona pelos 115 metros de altura, a maior estrutura de concreto armado do país. De dentro, revela a diversidade e as diferenças entre mais de 5 mil moradores.
5. Um retrato íntimo feito por quem conhece o prédio por dentro
Um dos grandes trunfos do filme está no acesso: Carine Wallauer morou no Copan por sete anos, o que permitiu uma aproximação rara com moradores, funcionários, bastidores e dinâmicas internas do edifício. A produtora Viviane Mendonça também vive no COPAN desde 2015. Esse olhar de dentro evita o cartão-postal óbvio. O filme revela o que existe por trás da fachada famosa e encontra humanidade onde muitas vezes só se vê concreto. A obra é visualmente impactante, politicamente afiada e cheia de personagens reais que parecem carregar, cada um à sua maneira, uma parte do Brasil dentro do prédio, conduzindo o espectador por espaços íntimos, restritos do edifício, não abertos à visitação do público.
COPAN estreia em 28 de maio nos cinemas brasileiros com distribuição da Vitrine Filmes.
SINOPSE
No coração de São Paulo, ergue-se um gigante de concreto. O edifício Copan, projetado por Oscar Niemeyer, abriga mais de cinco mil moradores e se torna palco de uma eleição acirrada. O síndico, há 30 anos no cargo, luta para manter sua posição, enquanto uma disputa ainda maior se desenrola fora das paredes do edifício, com Lula e Jair Bolsonaro disputando a presidência do Brasil. Dirigido por Carine Wallauer, Copan é um retrato do Brasil contemporâneo e das engrenagens do poder, entrelaçando realismo social e sci-fi em um dos prédios mais emblemáticos do país.
A DIRETORA
A produção artística de Carine Wallauer transita entre a técnica e a experimentação com imagens, estáticas e em movimento. Seu trabalho artístico integra a coleção de Joaquim Paiva e os acervos de fotografia do MAM Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, MAC Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul e acervo impresso do IMS Instituto Moreira Salles.
Como diretora de fotografia contribuiu para diversos projetos de ficção e documentário, sendo indicada e premiada em importantes festivais. Além de colaborar com outros cineastas no campo da imagem, escreveu, dirigiu e fotografou COPAN, documentário de longa-metragem em coprodução entre Brasil e França, que estreou no CPH:DOX 2025 e foi eleito Melhor Filme Brasileiro pelo júri do Festival É Tudo Verdade 2025. Atualmente escreve e dirige um podcast original para o UOL e desenvolve seu novo trabalho audiovisual como autora, O Duplo e sua Sombra.
FICHA TÉCNICA
Direção e Roteiro | Carine Wallauer
Produção | Viviane Mendonça, Camilo Cavalcanti, Nabil Bellahsene, Justin Pechberty, Damien Megherbi
Fotografia | Carine Wallauer
Montagem | Eva Randolph
Som | Juliana Santana, Fred França
Desenho de Som | Waldir Xavier
Trilha sonora original | DJ KL Jay, DJ Will, DJ Kalfani
Gênero | Documentário
Duração | 98 minutos
País e ano de produção | Brasil / França, 2025
Empresa produtora | O PAR
Distribuição | Vitrine Filmes

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