Uma tragédia atinge uma família síria em Alepo, dando início a uma reação em cadeia de eventos envolvendo cinco famílias diferentes em quatro países distintos.
Essa é a premissa do filme “O Caso dos Estrangeiros” que estreia
nesta quinta-feira nos cinemas, com direção do cineasta Brandt Andersen, que
também estreia na direção de longas.
Baseado em seu curta-metragem “Refugee” (2020), o longa é um
verdadeiro soco de realidade no estômago, mostrando a vivência de refugiados, enquanto
fogem de seus países, por razões diversas e enquanto se deslocam e sofrem para
serem acolhidos em algum outro local.
O diretor Brandt Andersen utiliza de uma estrutura de “pontos
de vistas” onde, em algum momento, esses olhares irão se cruzar. Mas, faz isso
de uma maneira orgânica, nada repetitiva, que sustenta o olhar e a curiosidade
do espectador.
A história começa com uma médica que foge com sua filha da
Síria, que em algum momento cruza sua vida com um soldado que começa a
questionar o exército que participa, que em outro momento vai cruzar com um homem
que “ajuda” refugiados a atravessar o Mar da Grécia, uma poetisa e sua família
e um capitão grego que está extremamente compadecido dos refugiados.
As atuações são ótimas, fortes, com um elenco redondo para
essa história. Omar Sy é o destaque dessa produção, entregando um personagem
forte, em vários sentidos.
O filme consegue colocar o espectador em um lugar de
angústia, sofrimento e de espera pelo inesperado.
Forte, visceral, bruto, mas, infelizmente real, e mais
infelizmente ainda, bem longe da cruel realidade pelo que os refugiados,
provavelmente passam.
Muito além de falar sobre guerras, abusos, sofrimentos, o
filme fala sobre pessoas que continuam passando por tragédias humanitárias, mesmo
que a maioria de nós não queira ver, aceitar ou encarar.
Se você aprecia filmes que mostram realidades atuais, mesmo
que elas aconteçam há dezenas de anos, você precisa assistir “O Caso dos
Estrangeiros”, recomendo muito.

Nenhum comentário:
Postar um comentário