Crítica Filme "Meu Nome é Gal" por Rita Vaz

 


Estreia nesta quinta-feira o filme “Meu Nome é Gal”, com direções das cineastas Dandara Ferreira (“O Nome Dela é Gal”) e Lô Politi (“Alvorada”, “Sol”).

Com uma alta divulgação e grande espera do público, “Meu Nome é Gal” chega aos cinemas e entrega muito, com um filme belíssimo e importantíssimo para a cultura brasileira.

O longa retrata um recorte da trajetória de Maria da Graça Costa Penna Burgos, Gracinha, como era chamada pela sua mãe Mariah, desde que chegou em São Paulo em 1965, até um dos seus shows mais emblemáticos em 1971 chamado “Fa-Tal”.

Com 20 anos, tímida e recém-chegada da Bahia, Gal se junta aos companheiros de vida Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gilberto Gil e Dedé Gadelha, e essa convivência cria o clima perfeito para que um novo movimento cultural tenha início.

A cantora enfrenta sua timidez ao longo da carreira, mas, a Tropicália potencializa sua força e a ajuda a provocar uma revolução estética e comportamental que transforma toda uma geração, sobretudo de mulheres.

O movimento modifica a indústria, desafia a sociedade conservadora e Gal se torna um dos principais nomes da música brasileira.

 As diretoras Dandara e Lô fizeram um filme de alto nível, com excelência de imagens, atuações, fotografia, com uma direção de arte impecável e obviamente áudio, um dos melhores que tenho visto (ou ouvido) nos últimos tempos.

 A atriz Sophie Charlotte está perfeita no papel, provando mais uma vez, ser uma das melhores artistas de sua geração. A sua performance é arrebatadora, ela atua organicamente, deixando o personagem utilizar livremente o seu corpo, interpreta as músicas pessoalmente e muitíssimo bem, e tem, para mim, um auge, quando na impostação da sua voz, fala exatamente como Gal Costa falava, com uma inflexão única e inconfundível. Parabéns mil vezes pra ela.

“Meu Nome é Gal” é um filme visceral, que mostra a história íntima da cantora, seus amores, suas agruras, sua juventude transformada pela ditadura e mostra principalmente seu talento.

Esse filme tem uma importância enorme para a história da música brasileira, ele mostra o início de um dos movimentos artísticos mais relevantes da nossa cultura recente, mostra um Brasil criando identidade através da arte.

As novas gerações que talvez pouco saibam ou não tiveram a oportunidade de ouvir e entender as letras, o momento histórico, e o significado real desse movimento, têm nesse longa, a possibilidade de conhecer e reconhecer um Brasil que infelizmente se repete, e por isso mesmo, a obrigação de prestar atenção e não permitir que o que aconteceu no passado, possa se repetir.

 

 

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