Cannes: o cinema está vivo - por Daniel Bydlowski


Com as portas fechadas, o que será do cinema? O mesmo que será de qualquer setor. Passaremos o período de recessão e continuaremos a dar entretenimento de alto nível aos espectadores. E para mostrar que há força na indústria cinematográfica, o Festival de Cannes anuncia os filmes que receberão o selo oficial do evento, que não acontecerá  por conta da pandemia.

E como sempre, Cannes traz uma grande diversidade de temas, mostrando que existem produções boas em todos os cantos do mundo e de todos os temas. Vamos falar de alguns?

- The French Dispatch: produção de Wes Anderson, com Benicio del Toro, o filme traz histórias da edição final de uma revista americana publicada em uma cidade da França no final do século XX. A expectativa é grande, uma vez que Wes sempre escolhe um bom elenco e a trilha sonora é de um dos grandes nomes no ramo, Alexandre Desplat. A intenção do diretor com esta obra, foi fazer uma carta de amor ao jornalismo. Os críticos estarão atentos.

- Casa de Antiguidades: o filme brasileiro é o primeiro longa de João Paulo Miranda, e fala sobre um operário negro que vive em uma cidade fictícia no Brasil colonizada pelos povos da Áustria. A polarização política, representatividade e problemas sociais estão presentes e o personagem começa a se conectar com a sua ancestralidade. Um assunto a ser sempre abordado no mundo, Miranda escolheu falar sobre o tema e deve provavelmente entregar o que se espera dele. O roteiro da produção foi desenvolvido em uma residência do Festival de Cannes. É o único filme dirigido por um latino-americano na seleção.

- Ammonite: com um elenco de peso com Kate Winslet e Saoirse Ronan, Francis Lee conta a história da paleontóloga Mary Anning e fala sobre diversidade na Era Vitoriana. O longa, teve alguns contratempos com os descendentes da homenageada, que não gostaram de ter a vida íntima de Anning exposta, no entanto acharam  importante que a história fosse abordada como ela é. O filme promete emoções e pelo que já deu para ver, a  fotografia é estonteante.

- Summer of ’85: os anos 80 sempre deram o que falar e principalmente em produções policiais. Um filme sobre crianças desaparecidas, algo bastante comum à época, , um vizinho suspeito (quem nunca?) e uma investigação feita por adolescentes. Um prato cheio para a mesmice, porém, esperamos mais François Ozon e para estar em um festival deste calibre, pode ser que conquiste os amantes desta década.

Sobre: O cineasta brasileiro Daniel Bydlowski é membro do Directors Guild of America e artista de realidade virtual. Faz parte do júri de festivais internacionais de cinema e pesquisa temas relacionados às novas tecnologias de mídia, como a realidade virtual e o future do cinema. Daniel também tenta conscientizar as pessoas com questões sociais ligadas à saúde, educação e bullying nas escolas.

É mestre pela University of Southern California (USC), considerada a melhor faculdade de cinema dos Estados Unidos. Atualmente, cursa doutorado na University of California, em Santa Barbara, nos Estados Unidos.  Recentemente, seu filme Bullies foi premiado em Newport Beach como melhor curta infantil, no Comic-Con recebeu 2 prêmios: melhor filme fantasia e prêmio especial do júri.

O Ticket for Success, também do cineasta, foi selecionado no Animamundi e ganhou de melhor curta internacional pelo Moondance International Film Festival.

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