Documentário paranaense sobre a vida de mulher após o cárcere é exibido em circuito de festivais em São Paulo



Mini-documentário paranaense “Eu vejo Flores”, do Instituto Aurora, será exibido na IV Mostra de Cinema da Mulher, no estado de São Paulo, e debatido em evento realizado pela UFPR, no Paço da Liberdade, em Curitiba

O documentário inspirado no trabalho realizado pelo Instituto Aurora em unidades prisionais femininas do Paraná, dirigido por Bruna Steudel e produzido por Julieta Audiovisual, será tema de um debate em Curitiba e também exibido em uma mostra que integra um circuito de festivais no estado de São Paulo. O filme “Eu vejo Flores”, lançado em dezembro de 2018, conta a história de vida de uma mulher que passou pelo cárcere e conseguiu resgatar os seus sonhos, a partir do encorajamento recebido por meio de projetos de integração social. O mini-documentário sugere uma reflexão sobre o encarceramento em massa e a necessidade de se implementar projetos que possibilitem recomeços para que os índices de reincidência sejam minimizados. O filme foi selecionado para integrar a programação da IV Mostra de Cinema da Mulher, realizada pela Baciada de Mulheres do Juquery. A série de exibições será realizada a partir desta sexta-feira (29), na Casa de Cultura Marielle Franco, no estado de São Paulo. A mostra reúne filmes exclusivamente dirigidos por elas, as mulheres.

Além da expressividade interestadual, o doc paranaense será a motivação para um debate sobre direito das mulheres em Curitiba. Como parte das atividades em alusão ao Dia Internacional da Mulher, lembrado em 8 de março, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) realiza uma campanha com o objetivo de debater temas importantes do universo feminino. Como parte da campanha, a UFPR exibirá na próxima quinta-feira (28), na Mostra de Filmes Temática, no SESC Paço da Liberdade, o documentário “Eu vejo Flores”, do Instituto Aurora, e o doc “Além da Lei: o aborto legal no Brasil”, de Mirela Kruel, Karine Emerich e Taysa Schiocchet, que apresenta a realidade do aborto decorrente de estupro e discute os impactos de sua criminalização na vida e na saúde das mulheres.

Ambos os trabalhos provocam reflexões a respeito do direito das mulheres, tendo como principal enfoque o impasse acerca da descriminalização do aborto e o encarceramento em massa. Após a exibição, haverá um debate com a participação de Silvana de Oliveira Niemczewski, advogada e presidente da Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Paraná e Alaerte Leandro Martins, enfermeira, especialista em obstetrícia, mestra e doutora em Saúde Pública. A conversa será mediada pela diretora-executiva do Instituto Aurora, Michele Bravos, que também é jornalista e mestre em Direitos Humanos.

A realidade nas prisões brasileiras mostra a importância em se discutir o assunto a partir de uma perspectiva de raça, já que 70% das detentas são negras. A perspectiva da saúde também será uma tônica do debate. “O aborto é um problema de saúde pública, com alto índice de mortalidade e morbidade materna no Brasil, com mães que quase morrem ou ficam com sequelas. Além disso, o gasto público com mulheres que buscam o aborto clandestino e tem complicações é algo que também precisa ser repensado e discutido”, comenta a doutora em Saúde Pública, Alarte Martins.

Sobre o “Eu Vejo Flores”, do Instituto Aurora
O “Eu Vejo Flores” é um documentário de curta duração (18 min) sobre a possibilidade de renascer após a passagem pelo sistema penitenciário feminino. Sinopse: Como semente rara, Nega atravessou as estações do cárcere para voltar a floreScER. Documentário realizado a partir das vivências do projeto Eu Vejo Flores — idealizado pelo Instituto Aurora — que, entre os anos de 2015 a 2017, esteve focado em trabalhar o fortalecimento de identidades de mulheres e meninas privadas de liberdade.
Sobre Instituto Aurora
Com atuação desde 2017, o Instituto Aurora tem como objetivo contribuir para compreensão de nossa humanidade comum, por meio de diálogos de paz, agindo em duas frentes de atuação: (I) Programa de Empoderamento, com ações voltadas às minorias políticas, no qual trabalha o fortalecimento de identidades; e (II) Programa de Educação em Direitos Humanos, no qual realiza atividades com a sociedade em geral com o objetivo de transformar o senso comum sobre o que são direitos humanos e, assim, promover espaços livres de discriminação. O Instituto Aurora acredita que a arte é a força para abordar esse grande tema, pois possui uma linguagem que se conecta com as pessoas, sensibiliza e alcança transformações efetivas.

Serviço -
Exibição e debate sobre “Eu vejo Flores” na Mostra Temática da UFPR
Dia 28/03, às 19h30
SESC Paço da Liberdade
Entrada franca.

Exibição documentário “Eu vejo Flores” na IV Mostra de Cinema da Mulher
29 a 31/03, das 20h às 23h.
Casa de Cultura Marielle Franco
Rua Dona Amália Sestini, Franco da Rocha - Franco da Rocha - SP.

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