Crítica Filme "A Forma da Água" - Rita Vaz


Filmes que misturam a fantasia com a realidade, normalmente têm grande aceitação do público, dada a necessidade das pessoas de fugirem um pouco de suas realidades para poderem resolver situações críticas, através de um toque de mágica.
O diretor Guilhermo del Toro é um dos melhores representantes atuais desse gênero no cinema. Consagrado por obras como “Hellboy” e “O Labirinto do Fauno” ele chegou mais uma vez com uma nova história fantástica que promete ser um novo marco em sua carreira.
A história acontece durante a guerra fria, no final dos anos 1950, em plena corrida espacial, onde existiam o medo de uma guerra nuclear, de uma invasão comunista, onde o racismo era flagrante e os homens eram tratados como reis em seus lares e pior, se consideravam como tal.
Com esse pano de fundo conhecemos Elisa, uma mulher solitária, que trabalha como zeladora em um laboratório secreto do governo dos Estados Unidos, tem poucos amigos, é muda, mas é também delicada, metódica e observadora.
Solitários também são seus amigos, o vizinho Giles, um desenhista que procura se recolocar no mercado em constante movimento e sua amiga Zelda, que também trabalha como zeladora no laboratório, entende Elisa e fala por ela e tem um marido machista.
Uma criatura da água, capturada na Amazônia (!!!) é levada para o laboratório, e os cientistas pensam em talvez utilizá-la contra os russos.
Junto da criatura, chega ao laboratório, o chefe de segurança Strickland, que simplesmente odeia a criatura, e faz de tudo para machucá-la e quiçá matá-la.
Diante de dias com ininterruptas torturas, Eliza se compadece da criatura e aos poucos se aproxima dela e ganha sua confiança, e começa a planejar leva-la dali, com a ajuda de seus amigos, para poder salvar sua vida, mas muito além disso, um sentimento de amor começa a crescer entre os dois.
Essa história central nos possibilita conhecer o arco dramático de cada personagem e ainda outros conflitos que são tocados na trama.
O destaque vai para a atriz Sally Hawkins que dá leveza e autoridade à sua personagem Eliza.
Usando a imagem como protagonista da história, em uma linda homenagem ao cinema, o olhar delicado do diretor nos possibilita entrar em um mundo fictício, banhado nos tons verde e azul.
A trilha sonora é um show à parte, pois é toda baseada em músicas dos anos 1940, 1950 e 1960, onde os musicais encantavam na Era de Ouro de Hollywood, passando inclusive por Carmem Miranda.
A Amazônia, citada no filme como o lugar onde o ser foi capturado, é conceituada como um local onde indígenas idolatravam o ser. A ideia que eles têm do nosso país, é básica.
O longa fala também de como, nessa época, a televisão tomou muito espaço do cinema, se tornando uma ameaça, (ainda bem) não concretizada.
O filme é belíssimo, mas acho que a plateia que for assisti-lo com a intenção de ver um longa de ação com um monstro do lago, vai se decepcionar, pois o filme conta uma história de amor junto de outros assuntos de extrema relevância.
Um filme mágico, onde os verdadeiros monstros não são os que aparentam ser, nesse caso a frase “o essencial é invisível aos olhos” cai como uma luva!!!

Título Original: The Shape of Water
Gênero: Fantasia/Drama
Duração: 2 horas e 03 minutos
Ano de Lançamento: 2018
Direção: Guilhermo del Toro

Elenco: Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins, Octavia Spencer, Michael Stuhlbarg, Doug Jones, David Hewlett, Nick Searcy.

RITA VAZ 

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