Companhia Antonio Marquez


Quando um artista é considerado, o melhor artista no que faz?
É fácil responder, quando você presencia a atuação de um deles. E concorda com uma platéia formada por multidões em todo o planeta.
Antonio Márquez é o maior bailarino atual da dança clássica espanhola e ponto.
Duas horas se passaram, e eu percebi só uns vinte minutos, e no momento dos intensos e incessantes aplausos, eu me perguntava: “Já acabou?”.
Tinha sido absorvida e coberta pela aura da dança, em seu mais absoluto conceito de perfeição. Diante de mim, um imenso palco, um grupo de quatorze dançarinos, um jogo de luzes impressionante, um figurino magnífico, uma música arrebatadora, um bailarino perfeito.
Duas horas se passaram em vinte minutos. E eu e uma platéia ruidosa queríamos mais.
Num espetáculo pintado de vermelho, preto e branco, as lindas bailarinas, foram meras coadjuvantes num bailado encabeçado e conduzido por brilhantes bailarinos.
Nesse momento, percebo mais uma eficácia da dança flamenca: a quebra de preconceitos. Homens que dançam e bailam com leveza e masculinidade à flor da pele.
Personagens que encantam tanto homens quanto mulheres.
A música produzida para uma dança que tem a leveza em sua força, precisa também, ser precisa, suave e arrebatadora.
Um violão, uma percussão e uma voz. Um trio que abrange um mundo de sons, e nos leva para o mundo do palco. Parece que fazemos parte daquele momento.
Uma voz que chora, quando fala e nos atinge diretamente no coração.
O sapateado impressiona por seu compasso marcante, que chega a nós através de vários sentidos. O visual, que é lindo, o auditivo que é alto, e a batida enfim, que chega até nós pelo coração.
No final, o nosso compasso não é mais cardíaco, é igual ao sapateado dos bailarinos.
Expressividade dramática, sensualidade e entrega total são os ingredientes de um espetáculo perfeito de dança flamenca.

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