"Meu Sangue é Vermelho" mostra para o mundo, por meio do rap, o genocídio indígena no Brasil


Documentário Musical acompanha o rapper Owerá, indígena Guarani M’bya, numa peregrinação a tribos do Mato Grosso do Sul e Maranhão; e em sua trajetória musical, onde busca conscientizar toda a sociedade sobre a realidade social desses povos.

O filme estreia dia 24 de setembro no VIMEO. 

Com participações de Criolo, Vincent Carelli e Sonia Guajajara, além de outros líderes indígenas, Meu Sangue é Vermelho ganhou 17 prêmios ao redor do mundo em 2020, incluindo Melhor Documentário, Melhor Filme Ambiental, Melhor Edição e vários Melhor Trilha Sonora Original

Brasil; Reino Unido, julho de 2021 - Os dados de crescimento da violência contra indígenas no Brasil são espantosos: até o início de 2020 o número de lideranças mortas em conflitos de campo foi o maior em pelo menos 11 anos, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT). Tendo como principal motivo a desapropriação de terras em favorecimento da expansão do agronegócio e pecuária – isso somado à ocorrência da pandemia de coronavirus, em que o potencial de morte para estes povos foi 16 vezes maior -, a causa pela sobrevivência indígena é urgente, representada também pelas manifestações recentes no Congresso Nacional, em Brasília.  Por isso a união da produtora britânica Needs Must Film com o rapper Owerá, da tribo brasileira Guarani M’bya, foi importante: por meio dela lançam o documentário Meu Sangue é Vermelho, que mostra ao mundo a realidade de indígenas brasileiros.

O roadmovie leva Owerá em uma peregrinação por comunidades indígenas dos estados de Mato do Grosso do Sul e Maranhão para dar voz aos seus líderes e mostrar como vivem, também as injustiças sociais que sofrem – e que grande parte do Brasil desconhece. Ao mesmo tempo, o filme é também um registro da jornada de Owerá como músico, que traz sua história e as vivências do documentário traduzidas nas letras de rap para gerar conscientização.

Inspirado e incentivado por Criolo, com quem desenvolve uma bela relação no decorrer do filme, Owerá é ainda orientado por líderes como a carismática Sonia Guajajara, o sábio e gentil Inaldo Gamela, e nos permite um entendimento mais profundo através da sabedoria de personalidades importantes como Vincent Carelli, antropólogo, indigenista e franco-brasileiro - idealizador do projeto Vídeo nas Aldeias.

Movido por letras e batidas, o filme mostra a violência brutal e o genocídio do qual esses povos são alvo; desapropriação de terras, levando alguns deles a viverem na beira de estradas; perda de identidade, que desencadeia depressão; a relação ancestral e com a natureza; desmatamento; e outros.  Momentos históricos também são abordados, como o protesto durante o acampamento Terra Livre no Congresso Nacional (DF), com cerca de 200 caixões simbolizando as mortes indígenas, e que foi duramente reprimida pela polícia. Este documentário é, então, sobre extermínio de pessoas e a resposta de um jovem músico sobre isso.

Meu Sangue é Vermelho foi apresentado em diversos festivais internacionais durante o ano de 2020, onde recebeu 25 indicações a prêmios, levando 17 deles. Entre os destaques estão: Filme do Festival, no Festival de Nottingham (Nottingham, Reino Unido); Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora no Milestone Worldwide Film Festival (Battipaglia, Itália); Melhor Filme Ambiental e Melhor Documentário no Crown Wood International Film Festival (Kolkota, India); Melhor Filme no Buenos Aires International Film Festival (Buenos Aires, Argentina); Melhor Trilha Sonora no London Independent Film Awards (Londres, Reino Unido);  Melhor Documentário no Beyond the Curve International Film Festival (Paris, França); entre outros; além de méritos e menção honrosa no Twilight Tokyo Film Festival (Tokyo, Japão) e IndieFEST Film Awards (Califórnia, EUA).

No Brasil, Meu Sangue é Vermelho será lançado dia 24 de setembro, na plataforma VIMEO, para democratizar o acesso e incentivar o conhecimento sobre a causa indígena para todo país.


SOBRE NEEDS MUST FILM

Somos um coletivo de cineastas de muitas culturas que associam suas habilidades a um fim comum. Nosso objetivo é fazer documentários de interesse humano de classe mundial que tenham um elemento de empresa social incorporado ao processo de produção. Fazemos isso em parceria com a comunidade cuja história estamos tentando contar. Dessa forma, a comunidade pode se beneficiar materialmente do processo de produção, mas, mais importante, pode manter um senso de propriedade em suas histórias. Esta não é a visão da crise indígena pelo homem branco. Nossas imagens mais bonitas são obras de diretores de fotografia indígenas, como Graciela Guarani, Inaye Lopes, Tonico Benites e Alexandre Pankararu. E o produto de cooperativas de cineastas indígenas como o Coletivo Aty Guasu e o Coletivo Olhar da Alma. Celebramos as lentes indígenas! 

SOBRE MEU SANGUE É VERMELHO (MY BLOOD IS RED)

Meu Sangue é Vermelho (My Blood Is Red) não possui dublagem nem narração para que as pessoas contem suas próprias histórias, em suas próprias vozes. Então, de muitas maneiras, os diretores deste filme são os povos indígenas do Brasil. Foram eles que nos disseram o que deveríamos filmar - o que era importante para eles. Deixamos eles falarem diretamente com você, cara a cara.

Nós celebramos as lentes indígenas!

Por celebrarmos as lentes indígenas, o documentário apresenta também, orgulhosamente, a obra de Thiago Dezan - cineasta residente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

FICHA TÉCNICA MEU SANGUE É VERMELHO (MY BLOOD IS RED)

Diretores:  Graci Guarani, Marcelo Vogelaar, Thiago Dezan e Tonico Benites.

Produtora: Needs Must Film.

Produtor: Brian Mitchell.

Elenco: Werá Jeguaka Mirim (Owerá), Criolo, Sonia Guajajara, Vincent Carelli.

Duração: 86min.

Gênero: Documentário, Documentário Musical, Documentário de Justiça Social, Cinema Indígena.

País: Brasil/Reino Unido.

Língua Original: Português/Guarani.


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