‘Ao Caminhar Entrevi Lampejos de Beleza’ apresenta três décadas da vida do diretor Jonas Mekas através de filmagens caseiras

Uma das obras mais pessoais do diretor de vanguarda lituano-americano estreia na FILMICCA nesta sexta-feira (24)

Compilando três décadas de filmagens caseiras de Jonas Mekas, Ao Caminhar Entrevi Lampejos de Beleza (2000) chega ao catálogo da FILMICCA nesta sexta-feira (24). A obra integra a lista dos 250 maiores filmes de todos os tempos da enquete decenal da Sight and Sound (2022) e foi descrita pelo New York Times como um filme caseiro elevado à escala do épico. Sem se prender à cronologia dos fatos, o longa acompanha a trajetória do cineasta de vanguarda lituano-americano. 

Rodadas desde 1970, as cenas registram o cotidiano de Mekas em Nova York, viagens à França, Itália, Espanha e Áustria, temporadas em Madison (Wisconsin) e Cape Cod, aniversários, piqueniques e a passagem das estações. O filme também acompanha a vida em família ao lado da mulher, Hollis Melton, e dos filhos Oona e Sebastian, com participações de nomes como Andy Warhol, Stan Brakhage, Allen Ginsberg, Nam June Paik, Robert Breer, Peter Kubelka e Ken Jacobs. 

Dividido em doze capítulos, o longa abandona a ordem cronológica logo no início. Mekas chegou a tentar organizar os rolos em sequência, desistiu e passou a montá-los na ordem em que estavam guardados, porque não sabia dizer a qual momento da própria vida cada trecho pertencia. Essa escolha é o que separa o filme de um simples álbum de família: a memória surge como acúmulo, não como narrativa. A voz de Mekas em off, gravada de madrugada em sua sala de montagem, funciona como contraponto melancólico às imagens de felicidade que ele reuniu ao longo de três décadas. 


E mais! 

Além de Ao Caminhar Entrevi Lampejos de Beleza, o catálogo da FILMICCA recebe nesta sexta-feira (24) Lola Montès (1955), de Max Ophüls, filme que marca o primeiro uso de cor e CinemaScope na carreira do diretor alemão, na última obra que ele completou antes de morrer, em 1957. Lola Montes, outrora uma grande aventureira, vê-se reduzida à condição de atração de circo após ter sido amante de vários homens importantes. 

Também estreiam Eclipse (1999), de Chris Marker, curta-metragem que observa adultos e crianças por toda a França durante o eclipse solar de 11 de agosto de 1999, e Toda a Memória do Mundo (1956), documentário de Alain Resnais sobre a Biblioteca Nacional de Paris. 


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Fundada e criada por Gracielly Pinto, a FILMICCA é um streaming nacional e independente de cinema autoral e cult, do clássico ao contemporâneo, com lançamentos semanais, incluindo obras inéditas, exclusivas e de grandes festivais.

Com uma curadoria que valoriza filmes realizados por mulheres, histórias LGBTQIAPN+, narrativas negras, obras de novos cineastas e de grandes diretores do cinema mundial, a FILMICCA possui um vasto acervo com cerca de 500 títulos disponíveis, incluindo obras de importantes realizadores como Chantal Akerman, Kiyoshi Kurosawa, André Novais Oliveira, David Cronenberg, Mia Hansen-Løve, Miloš Forman, Víctor Erice, Djibril Diop Mambéty, entre outros.

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